O projeto foi tema do Almoço Executivo do Transcares

“Temos a expectativa de conseguir salvar, no mínimo, 2.085 vidas por meio do Programa Capixaba para Salvar Vidas no Trânsito”. Essas palavras são do consultor em Segurança de Trânsito da Fetransportes, André Cerqueira, o palestrante convidado para o Almoço Executivo do Transcares deste mês.

O encontro dos transportadores, como de costume, foi realizado no Salão de Eventos do sindicato, em Jardim América, nesta quarta-feira, 17 de outubro, e reuniu, além do presidente, Liemar Pretti, e dos diretores Marcos Furtunato, Luiz Alberto Teixeira, Ronaldo Salles de Sá e Sidney Boff, empresários associados, o diretor-geral do Detran, Romeu Scheibe Neto, o presidente do Cetran e subcomandante da Polícia Militar, o coronel Reinaldo Brezinski, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Marcelo D´isep, além de Mario dos Santos e Reinaldo Barreto, representantes da Autotrac, um dos mantenedores da entidade.

O programa é resultado de um esforço coletivo que teve início no começo deste ano, na Fetransportes. O projeto envolve, além da federação, entidades – dentre elas,  Transcares –, órgãos parceiros e empresas do setor e nestes primeiros meses muita coisa já aconteceu.

Em maio, foi realizado em Vitória o 1º Seminário de Segurança de Trânsito. Na ocasião, em coerência com o Protocolo da ONU quanto à Década de Redução de Acidentes de Trânsito, foi lançado um desafio aos mais de 90 presentes: reduzir o número de acidentes de trânsito, que só no Espírito Santo chega a cerca de 45 mil por ano, com e sem vítimas, nas rodovias federais, estaduais e vias municipais. Em  agosto, também na Capital, foi realizada uma Reunião Geral com os parceiros do projeto para apresentar a proposta do programa. Na sequência tiveram início os workshops dos sete Comitês Temáticos – Gestão, Saúde, Educação, Esforço Legal, Segurança Veicular, Segurança Viária e Resposta à Emergência – que integram o programa. E nesta quarta, antes do almoço, Cerqueira reuniu membros dos comitês numa apresentação do Departamento de Perícia e Delitos de Trânsito. Juntos, eles fizeram o estudo de caso de um acidente ocorrido em junho do ano passado, envolvendo duas ambulâncias, uma carreta que transportava bloco de granito e um ônibus da Águia Branca, que causou a morte de 24 pessoas.

“Trânsito é um assunto que envolve todos nós. Nos últimos anos, o Espírito Santo conseguiu reduzir suas taxas de acidentes, mas ainda estamos aquém de onde gostaríamos de estar. Daí a ideia do programa feito a várias mãos, de maneira compartilhada, e de unirmos forças em prol de um tema relevante e um bem maior, a vida”, argumentou Cerqueira, cujos números que cercam o assunto trânsito justificam toda a movimentação.

Entre 2010 e 2015, um total de 231.448 pessoas morreu na Guerra da Síria. No mesmo período, foram 255.609 mil pessoas mortas no trânsito, somente no Brasil. O impacto econômico dessas tragédias também não é pequeno. O custo anual no Brasil é de R$ 56 bilhões e o do Estado de R$ 1,3 bilhão.

Sobre o Programa

O Programa Capixaba para Salvar Vidas no Trânsito está alinhado ao Pnatrans (Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito), criado a partir da Lei 13.614, de 11 de janeiro deste ano, pelo Cetran, terá duração de 10 anos e foi conceituado sobre pilares estratégicos. Cada pilar está representando um Comitê Temático e esses comitês são formados por entidades ligadas ao trânsito.

Sua proposta, como ressaltou Cerqueira, é reduzir a taxa de fatalidade em acidentes de trânsito em, no mínimo, 50% em uma década. “Se chegarmos a esse número colocaremos o Brasil e o Espírito Santo em outro patamar”, ressaltou ele, lembrando que a Suécia é o grande exemplo a ser seguido. “Em 1997, a Agência Nacional de Trânsito da Suécia criou Visão Zero, que diz o seguinte: ‘Nós simplesmente não aceitamos nenhuma morte ou ferimento causado por acidentes de trânsito’”.

Ainda como parte do programa está prevista a criação do Selo de Certificação e Segurança Viária. A referência técnica deste selo é a ISO 39.001, que trata justamente de segurança viária e já está consolidada na Europa. “Boas práticas precisam ser referência e assim vamos conseguir elevar o nível de qualificação das empresas”.